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1) PORQUE INVESTIR EM COSMÉTICOS? Reportagem revista Veja (20/10/2014).

Imunes a crises, empresas de cosméticos vivem em Brasil paralelo

Consumidoras fiéis e dispostas a gastar garantem imunidade ao segmento num período de recessão técnica e incerteza eleitoral.

 

Desaceleração econômica, inflação perto do teto da meta e incerteza eleitoral são motivos de preocupação para muitos setores da economia. Expostos à fragilidade do atual cenário e às dúvidas sobre quem será o próximo presidente do país, a melhor opção é a cautela, o que motiva, muitas vezes, a diminuição de investimentos e taxas tímidas de crescimento. Mas, no Brasil, graças à vaidade e à fidelidade de consumidoras (e também consumidores), há um segmento que segue "blindado" de todo esse mar de notícias ruins: o de cosméticos.

Enquanto o varejo não deve crescer mais que 4,5% em 2014 e o setor automotivo se dirige para uma retração inédita nesta década, a expectativa de crescimento para a indústria cosmética em 2014 é de 11,8%, o que significa que as empresas do setor devem faturar 42,6 bilhões de reais, segundo dados da Abihpec, a associação que representa o segmento. A razão para tal descolamento é uma junção de autoindulgência e bem-estar. Em épocas de crise, quando é preciso apertar os cintos para que o orçamento familiar dê conta de cobrir as despesas, as famílias cortam o que consideram supérfluos: saídas a bares e restaurantes, compras no shopping, viagens, adiam a troca do carro. O arrocho, contudo, não chega ao batom, por exemplo. "A consumidora, que em cenário de contenção econômica, reduz seus gastos, não faz tantos ajustes em produtos ligados a beleza. Ela entende que o cuidado pessoal é também uma questão de merecimento e realização", explica Carlos Gouveia, da consultoria Nielsen. Não à toa, durante a crise de 2009, quando a economia brasileira sofreu retração de 0,2%%, a maior parte dos consumidores não reduziu gastos com cosméticos. Pesquisa da Nielsen aponta que, naquele período, apenas 14% dos entrevistados afirmaram terem trocado suas marcas preferidas por outras mais baratas.

Diante das boas perspectivas, os investimentos devem avançar 5,2% no setor, para 14,1 bilhões de reais. "A indústria continua otimista e investindo no aumento da capacidade produtiva, inovação e pesquisa", afirma João Carlos Basilio, presidente da Abihpec. Segundo ele, a representatividade do setor no cálculo do PIB deve passar de 1,8% para 2% até 2016.

Uma das tendências que fortalece o mercado brasileiro de cosméticos é a maior oferta de produtos premium, ou seja, de maior valor agregado. "Para continuar a estimular o consumo, as empresas estão oferecendo vários benefícios em um único produto, garantindo um aumento no valor agregado para compensar uma ligeira desaceleração em volume de vendas", informa o último relatório do setor elaborado pela consultoria Euromonitor. De 2008 a 2013, por exemplo, a categoria de produtos de beleza "premium" registrou um crescimento de 102,8% no Brasil, bem acima da média mundial, de 15,8%. De 2013 a 2018, o crescimento esperado é de 36,3%, também bastante superior à média global (14,9%).

Venda direta - Além da vaidade e da fidelidade de consumidores brasileiros, o setor de cosméticos conta com o canal de vendas diretas como importante aliado. O Brasil é o quinto maior mercado mundial neste segmento, atrás de Estados Unidos, China, Japão e Coreia do Sul, segundo ranking da Federação Mundial de Vendas Diretas (WFDSA, na sigla em inglês). A modalidade emprega 4,5 milhões de pessoas em todo o país e movimentou, em 2013, mais de 40 bilhões de reais, o que representou um crescimento de 7,2% sobre o ano anterior. Para 2014, a expectativa da DirectBiz, consultoria especializada no segmento, é de avanço de 5% a 7%.